domingo, 13 de setembro de 2015

No Mural do Facebook V


Nossas velhas estruturas sociais:
Reiterando o poder nocivo e corruptor das nossas estruturas histórico-sociais, argumento que vale para o Brasil assim como para a América Latina em geral, importa lembrar ou aprender que pouco mudará da terrível realidade que vivemos se houver uma mera troca de partidos e agentes no comando do poder. Nosso Estado nunca ingressou na modernidade típica do Estado republicano e democrático. É uma adaptação do Estado patrimonial criado e regido por oligarquias retrógradas e um aparato burocrático ineficiente e parasitário. Um simples e significativo exemplo: o palácio do Planalto tem 4.487 funcionários; a Casa Branca, sede da maior potência mundial, apenas 468. Outra praga é o populismo, de esquerda ou de direita.
Basta ver não só o que acontece aqui, mas também na Argentina e na Venezuela. Esse regime maldito, que alega governar para o povo e salvar os oprimidos, é estatizante e sempre adota políticas cujos custos são pagos pelo povo oprimido. Por isso convém lembrar que o mal não é apenas o PT, mas essas estruturas retrógadas e resistentes à modernidade. Enquanto não mudarmos isso, e quem sabe lá quando mudará, o Brasil viverá entre ciclos de crescimento e recessão, euforia e depressão.
A crise é obra antes de tudo do PT. Mas observem o que acontece na sociedade e antes de tudo na burocracia estatal. Greves se sucedem sempre em defesa de interesses corporativos e se arrastam por meses. Essa inércia irresponsável, que na prática significa férias informais e abuso da tirania exercida contra o povo que luta e trabalha feito semiescravo, se repete regularmente como efeito de estruturas perversas. É claro que a crise agrava esses processos, mas periodicamente temos greves previsíveis em vários setores do serviço público. Todos falam em nome do povo e dos interesses do povo, mas este é o único que paga as contas e vive ainda, em plenos séc. xxi, submetido a um regime cotidiano típico de uma ditadura social.
Postado no Facebook, 10 de setembro 2015.

Dilma e as mentiras obsessivas:
Tentei ouvir a mensagem de Dilma Rousseff endereçada aos brasileiros no dia da nossa (In)dependência. São mais de 8 minutos. Aguentei 2 somente para conferir se alguma coisa mudaria na desconversa previsível. Apesar de tudo que salta aos olhos até dos imbecis, ela teima em sustentar as mesmas mentiras que ao cabo não passam de arrogância ou esquizofrenia. A arrogância, por exemplo, que a impede de ter um mínimo de humildade diante dos fatos; a arrogância que a leva a nos tratar como um rebanho de cegos servis às mentiras que tem repisado seguindo a lição do seu mestre: Luís Inácio Lula da Silva. O adorno da mensagem é a apelação publicitária de sempre recheada por sentimentalismo e diversionismo e a velha ladainha sobre a natureza miscigenada e pacífica do povo brasileiro. Chovendo no molhado onde ela desliza, somos um país marcado pela desigualdade, a violência sempre beirando a guerra civil, o preconceito e todas as opressões impostas por um capitalismo cujo vilão principal é o Estado patrimonial. Nossa herança maldita, que o PT denunciava alegando livrar-nos dela, está sendo agravada por um partido que foi a esperança de milhões de brasileiros até revelar-se uma organização de bandidos.
Facebook, 7 de setembro 2015.

A compaixão abstrata:
Comovem-me as manifestações de compaixão e indignação diante da massa de refugiados que pressionam as fronteiras da Europa. Mas como explicar que sejamos tão sensíveis ao sofrimento e desamparo desses infelizes (tão abstratos na volatilidade das redes sociais) enquanto sempre passamos indiferentes à miséria e desamparo dos brasileiros nos quais esbarramos a cada esquina e rua? Eu mesmo, que moro numa área privilegiada do Recife, vejo diariamente mendigos caídos nas calçadas, coberturas de galerias etc. No calçadão da praia, todo dia passamos indiferentes aos famintos e ébrios caídos na calçada. Passamos ao largo segurando a coleira de nossos cães e corremos (literalmente) para manter a forma e fugir da realidade intolerável.
E o que dizer dos nossos dependentes do SUS, humilhados e desassistidos em hospitais, UPAs etc? É um filme tão antigo que virou banalidade. Queria ver qual seria nossa reação se refugiados do mundo viessem pressionar nossas fronteiras continentais. Como é fácil ter compaixão do semelhante abstrato e remoto quando somos indiferentes aos esfomeados das nossas ruas.
Facebook, 3 de setembro 2015.

Ame um cão:
Para você, feicebuqueira(o): Se você se sente solitária e infeliz no amor, ou simplesmente se desiludiu dessas máquinas caprichosas e confusas que são os seres humanos, adote um cão. Seres humanos são dotados de uma singularidade da qual derivam nossas grandezas e misérias: a liberdade. Pena que a maioria a use como uma pata de elefante querendo esmagar uma mosca numa loja de cristais. A mosca é o alvo da liberdade humana e os cristais são seres humanos perseguindo o mesmo fim. Talvez algum dia destruam totalmente a loja.
Facebook, 3 de setembro 2015.



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